quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Falta de incentivo: o outro lado do problema.


O assunto sobre a falta de incentivo deu mesmo o que falar. O post teve uma ótima repercussão e gerou uma grande mobilização por parte dos escaladores. O "desabafo", além de me aliviar, serviu também para comprovar que as comunidades da pedra e da resina estão unidas em prol de um único ideal: o desenvolvimento do esporte. Mas como disse antes de finalizar o tal post, não gosto de ser e nem quero cometer nenhum tipo de injustiça com ninguém. Recentemente tive a oportunidade de conversar com alguns empresários - que por questões éticas e "anti-fofoquinhas" não vou revelar as identidades -, e durante um papo bem descontraído, pude ver o outro lado dessa moeda. Atenção: a conversa que tive com esses senhores, foi em relação ao patrocínio destinado à um atleta.

Durante um almoço em uma tarde quente na Cidade Maravilhosa - perdoem-me o pleonasmo -, tive o prazer de conversar com empresários do ramo da escalada. Cheguei com uma ideia de como funcionava o tão almejado patrocínio/apoio, mas saí de lá com esse conceito completamente mudado. A primeira frase de um deles foi arrasadora: "Minha empresa venderá mais equipamentos por está te patrocinando/apoiando!". De fato! Além do mais vi um lado que poucas pessoas sabem. Os empresários me disseram que já houve muita decepção por causa de apoios destinado à escaladores. No geral, quando esses "manda-chuvas" dão uma oportunidade, eles pedem muito pouco em troca: fotos e vídeos do patrocinado/apoiado com seus produtos, divulgação da marca através de blogs, roupas ou em outras mídias espontâneas e etc. O problema é que quando aparecem pessoas dispostas a apoiar o esporte, tem sempre um "atleta" que vacila, e com isso, mancha a imagem da escalada.

Pensem - mas com o bolso de vocês. Vocês dariam oportunidade à escaladores depois de ter tomado uma volta desses "trepadores de pedra"? A verdade é que os poucos empresários que ainda patrocinam nossos atletas são escaladores, amantes do esporte ou, simplesmente, pessoas de bom coração. Antigamente se dizia que era questão de tempo para retirarmos à má-impressão deixada pelas gerações passadas quanto ao profissionalismo na escalada. Mas de coração? Vejo que profissionais eram os "coroas" das últimas décadas. De acordo com o relato destes empresários, a nossa geração têm vacilado muito. Faltando com suas responsabilidades diversas vezes seguidas.

Acredito que quando começarmos a dar mais valor à questão do profissionalismo dentro da escalada, teremos mais oportunidades surgindo para nós. É preciso que a imagem (todos sabem de qual imagem estou falando!) que o senso comum tem da comunidade escaladora seja desvinculada. Para isso, é preciso ainda que nos empenhemos duramente. Pensem que isso é um projeto de 11c - ou um v14 para os boulderistas -, e vamos trabalhar em cima disso. Com amadurecimento e inteligência a gente conseguirá atingir esse profissionalismo. Quem sabe não seja isso que falta para estarmos nas Olimpíadas?

2 comentários:

Patrícia disse...

Oi Caiozito!
Então, eu já tive alguns patrocínios.
Dois deles em específico duraram 10anos ininterruptos.
Eu me lembro que a minha imagem e de outros patrocinados eram bem explorados, em camisetas, agendas, cartazes, desfiles, cursos, campeonatos e tantas outras coisas.
O mais importante que um atleta patrocinado deve lembrar é que ele carrega junto com seus atos a empresa que o patrocina, portanto em hipótese alguma deve esquecer dela em entrevistas, fotos com camisetas e nunca....nunca deixar de falar dessa empresa, pois é ela que o ajuda sempre que é preciso.
A fideladidade do atleta para com a empresa patrocinadora é 24hs.
Não se deve deixar de dar fotos e vídeos do que foi realizado com o nome da empresa.
Estar sempre em contato com o patrocinador é muito importante também para se saber o que eles esperam do patrocinado.
O nome do patrocinador deve ser vinculado ao atleta sempre que alguém olha para ele.
Tudo isso e mais alguns detalhes que devem ter me escapado agora, nunca devem ser esquecidos.
Isso deixa o patrocinador muito feliz de estar dando esse apoio ao atleta.
Beijão,
Patty.

Pedro Hauck disse...

Entao, tem dois outros problemas no lado "deles" o primeiro sao os equipamentos importados, que dependendo do preço vendem mais. Isso em si o proprio marketing resolve, eh como o slogan do Guaraná Dolly: Brasileiro não tem medo do estrangeiro.
O outro problema é que a escalada saiu mesmo de moda. Isso nao interfere pra quem ama a escalada deixar de ir pra Pedra, pra entao os patrocinadores procuram dar apoio em atividades que estao mais em evidencia, como é o caso atual da Corrida (gincana) de Aventura. Empresa tem que dar lucro... e muitas vezes eles deixam de dar seu necessario apoio àquilo que tem mais historia, tradicao etc...