quinta-feira, 12 de março de 2009

"Entrevista" - Guilheme Quacchia.


Bom, o post de hoje será a inauguração da sessão "Entrevista". Porém antes de apresentar o nosso convidado de hoje, vou explicar um pouco do objetivo dessa sessão. A "Entrevista" tem como meta contar um pouco da história de alguns escaladores que nem todos conhecem mas que fizeram e/ou ainda fazem parte da escalada nacional de alguma forma. Na tarde de hoje bati um papo com o escalador-slack-highliner Guilherme Quacchia, de 19 anos. Gui no momento está no "estaleiro" (como vocês vão ler a seguir) mas que tem no seu currículo além de um título Brasileiro Juvenil, a cadena mais jovem (14 anos) da forte via Bambam (9a) localizada no Campo Escola 2000 na Floresta da Tijuca, no Rio de Janeiro. A conversa foi rápida porque o Rasta estava numa pressa sinistra! (Risos) Mas apesar de curto, o "desenrolo" foi bem legal. Conversamos sobre Slackline e Highline, consciência sobre tais esportes e sobre sua volta às pedras. Confira abaixo como foi essa conversa.

Guilherme Quacchia. Foto: Rodrigo Nunes.

Gui, de onde surgiu esse interesse pelo Slackline e posteriormente pelo Highline?
O slack veio quando eu ainda escalava no Centro Excursionista Brasileiro (CEB). A galera da escalada sempre teve uma ligação com o Slack. Mais tarde, no Complexo de Escalada Onze A, eu comecei realmente a brincar! No ano passado eu comprei uma fita para mim e aí tudo começou. Com o tempo, simplesmente atravessar de um lado para o outro perdeu a graça e juntando ainda mais as técnicas de escalada com slack, parti pro Highline.

Em relação ao Highline, o que você sente quando está em cima da fita a alguns metros do chão?
Um pouco de euforia, já que na hora são inúmeras coisas passando pela cabeça: a altura, a distância, uma chegacagem mental do sistema todo de segurança, como cair e, é claro, a concentração para andar. Depois de andar algumas vezes em sequência fica mais fácil porque você acaba se concentrando somente em andar.

Highline na Garganta na Enseada do Bananal em Itacoatiara - Niterói. Foto: Rodrigo Nunes.

Você recentemente encadenou um dos mais famosos Highlines do Rio de Janeiro: a travessia da Garganta, localizada na Enseada do Bananal, em Itacoatiara, Niterói. O Highline tem 30 metros de altura e 8 de distância. Explique para a gente, o que representou essa cadena para você?
Pra mim foi um grande feito pessoal, já que na época que eu fiz pela primeira vez eu não tinha e não conhecia muitas pessoas com interesse ou coragem para ir comigo. Enton fui lá praticamente sozinho. O bom que depois de fazer algumas vezes e divulgar, começaram a surgir outras pessoas com vontade de tentar o que para mim foi muito bom porque nesse esporte a companhia de outros e o apoio é muito importante.

Por falar em divulgação, você acha que o Slackline, por exemplo, já está virando um esporte popular nas praias do Rio de Janeiro e Niterói? E o que você acha dessa popularização?
Popular eu não diria, mas vem crescendo rapidamente. Aqui em Niterói, na verdade, não vejo um grande número de pessoas montando na praia, lembro de no máximo dois grupos de pessoas que o fazem. Já no Rio, mesmo nunca tendo visto um Slack montado, eu sei que cada vez mais a galera se reúne para passar a tarde andando de Slack, tanto nas praias de Copacabana, quanto na do Leblon ou de Ipanema. A popularização do slack eu acho que estimula a concentração, já que o esporte é quase que uma meditação. Só me preocupa que alguns se entusiasmem e tentem fazer algum Highline sem a devida segurança.

Highline na Garganta na Enseada do Bananal em Itacoatiara - Niterói. Foto: Rorigo Nunes.

Para finalizar! Você começou a escalar desde cedo e sempre competiu, assim como eu. Dentre alguns títulos, você já foi Campeão Brasileiro Juvenil na Copa Conquista realizada na extinta Academia Jaguati, em Curitiba (PR), há alguns anos atrás. Bom, a pergunta que não quer calar: por que dessa parada e se você já tem data para retornar aos gramados, quero dizer, às rochas? (Considere um meio esporro!)
(Risos) Enton, acabei parando de escalar pois estava estudando no Rio, primeiro de manhã e um dia a tarde, depois manhã e dois dias a tarde, e no final já estava estudando de manhã e todo dia a tarde. Com isso meu tempo foi ficando curto e assim fui diminuindo a frequência para escalar. Ano passado tentei voltar, fiquei um mês e meio no muro, estava voltando a ter um condicionamento, porém me lesionei! Melhorei, mas no fim do ano passado machuquei o dedo mindinho, e agora recuperado e com gás, pois estou fazendo trilha frequentemente, quero voltar, mas antes tenho que acertar minha situação na faculdade e estágio.

Muito obrigado pela paciência com o repórter-estagiário e eu espero te ver em breve fazendo força nos décimos na rocha e nos treinos lá no muro. KAMON, Gui! 
Ah, valeu! Esse ano mesmo eu pretendo estar de volta. Então, só ressaltar que o Highline apesar de ser muito mais impressionante do que difícil, deve ser feito sempre com o máximo de precaução pois as forças exercidas nos materiais são enormes, e deve levar isto em consideração para que seja feito tudo de forma segura.

Entrevista e texto redigido ao som do Disco 2 da coletânia Songs Of Freedom do mestre Robert Nesta Marley.

1 comentário:

jorge disse...

Muito boa a entrevista! Quero mais!