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terça-feira, 22 de maio de 2012

V10 F.A. no bloco mais forte do Estado do Rio de Janeiro.


Caio Gomes no move abertão do "Burro". Foto: Caio Pimentel.

As possibilidades de linhas incríveis no bloco do "Rising From The Vala" na Pracinha de Itacoatiara parece não ter fim. No último sábado (19), motivado com a cadena do meu irmão no "Pirocóptero" v8, resolvi tentar uma linha que há muito tempo tinha visto no mesmo bloco. Depois do escalador brasiliense, Rafael Passos, realizar o F.A. do "Adobe", v10, imaginei uma linha que possuísse apenas um final diferente. O final alternativo não aumenta o grau do boulder. Acredito que permaneça nessa mesma faixa - v10. E para seguir uma lógica, batizei o boulder com mais um tipo de tijolo, "Burro". Com isso, o bloco do "Rising" torna-se o bloco mais forte do Estado do Rio de Janeiro. Não acredita? Confira as linhas situadas nesse bloco:

- Batentão v2
- Highball v2
- Rising From The Vala v4
- Rising From The Furo v4/5
- Bote do Bidedo v6
- Tijolão v8
- Pirocóptero v8
- Poder do Agora v9
- Adobe v10
- Burro v10
- Paralelepípedo v11
- The Wall (Projeto - v13?)
- Projetos (v11?)
- Projetos (v11?)
- Projetos (v12?)

Santo foot-hook da Solution! Caio Gomes no "Burro". Foto: Caio Pimentel.

Boulderístas de plantão: o grip da Praça chegou no auge. Aderência perfeita. Muitos projetos, boulders de qualidade e a praia mais bonita do Estado. A PRAÇA É NOSSA!

Post ao som de Criolo - Lion Man.

segunda-feira, 19 de março de 2012

Fim de uma lenda: Cocalzinho.

  
Acidente em Cocal. A escalada é um esporte apaixonante. Foto: Caio Gomes.

Sabem aquelas viagens perfeitas? Então, deixa eu contar sobre uma para vocês. Porém antes, devo avisá-los que essa história começa há 7 anos atrás, quando durando o Campeonato Brasileiro de Escalada Esportiva 2005, em Belo Horizonte (MG), eu conheci uma galera fantástica de Brasília (DF). Dentre esses "rastas", estava um cara que - mesmo sem eu saber - se tornaria um grande amigo: Rafinha Passos. Ainda na concentração do campeonato - realizado na academia de escalada Das Pedras -, Rafinha me contava sobre um lugar que eu nunca havia escutado falar, mas que em breve se tornaria a maior área de escalada em boulder do país e uma das maiores do mundo. Essa área, conhecida como Cocalzinho, está localizada dentro do Parque Estadual da Serra dos Pirineus (140km de Brasília) que se encontra dividida em três municípios goianos: Cocalzinho de Goiás, Pirinópolis e Corumbá de Goiás. Desde então, passei a ter uma obrigação de conhecer esse local.
Futebolzinho que rolou no Casarão. Destaque para o artilheiro Gabriel "Messi" Bellão (de camisa azul) que marcou duas vezes na primeira partida. Foto: Caio Gomes.

Os anos se passaram e a "obrigação" virou promessa. E com o passar de mais alguns anos, essa "promessa" virou lenda. E graças à Glauce Ibraim, conhecida mundialmente como "Mozão", essa "lenda" se tornou realidade em 15 de maio de 2012. "Mozão" comprou as passagens e de última hora fui avisado. Não deu nem tempo para ficar ansioso. Sem avisar ao Rafinha, embarquei para a capital brasileira em busca dos blocos mágicos de Cocalzinho. Após uma encenação digna de um estueta da Academia, revelei a minha presença ao amigo brasiliense assim que o mesmo chegou para buscar - ainda somente - a Glauce. Hora de pegar a estrada e partir rumo ao Parque dos Pirineus. Seriam apenas 4 dias de escalada, mas eu estava motivado. Na quinta-feira (15) conhecemos o setor do Mocó, mais precisamente um novo sub-setor chamado Cinematográfico. Pude encadenar alguns boulders fáceis, porém todos cinco estrelas. Saimos de madrugada e retornamos para Brasília. Infelizmente na sexta-feira (16) a chuva não deu brecha, o que nos forçou a ficar no famoso Casarão.

O famoso "Casarão" onde passamos algumas noites durante essa viagem. Foto: Caio Gomes.
São Pedro resolveu compensar nos dias seguintes. O sábado amanheceu com sol e partimos ainda com luz para Cocalzinho. A logística inicial era resgatar os crash-pads abandonados no subsetor do Cinematográfico e partir para o famoso setor da Casa da Cobra. Porém como havíamos escalado pouco na noite anterior e conhecido pouca coisa em função da chuva que logo resolveu cair, decidimos em conjunto escalar até a noite e conhecer ainda mais um pouco do setor do Mocó. Já passava das 23h00 quando decidimos que era hora de partir para a Casa da Cobra para a minha primeira pernoite embaixo dos blocos locais. Mesmo a noite não me contive e precisei ver os boulders mais clássicos e tocar nas agarras dos meus objetivos da trip: o "Ganja Smoke" e o "Amendoim Tostado" - ambos v9. Após uma noite agradabilíssima de sono, era hora de ir ao que interessa.
 Suíte presidêncial da Casa da Cobra. Foto: Caio Gomes.

O climb começou as 10h para mim quando encadenei o Muy Expuesto, um v1 clássico do local. Devidamente aquecido e alongado era hora de tentar o "Ganja Smoke". Para a minha surpresa - que não estava conseguindo isolar o penúltimo move do boulder - na primeira entrada do início, encadenei. Momento único. Segurei com um braço o pêndulo e quis muito ficar naquela agarra. Yeah! Hora de tentar o "Amendoim Tostado". Este confesso ter achado impossível de mandar em função da minha pele que já não estava 100%. Mas não precisei de muitas tentativas para que obtivesse sucesso. Após cair indo para a última agarra do crux do boulder por volta da 3ª entrada, dei somente mais duas tentativas antes de mandá-lo (Confiram o vídeo). Pronto: missão cumprida. Infelizmente já estava se aproximando a hora de voltar para o Rio. Mas ainda sim tive tempo para conhecer o boulder que julgo ser um dos mais bonitos do Brasil, o "Regrê" v11.

Em cima da hora chegamos no Aeroporto de Brasília mas com uma vontade enorme de perder o vôo e ficar por lá para sempre. Como dizem os locais: "Cocal é o gueto!". Incrível a qualidade dos blocos e a qualidade das pessoas. Por último gostaria de agradecer algumas pessoas que fizeram essa viagem ser inesquecível: Bellão, Pedrão, Chuck, Gabiras, Fei, Thales, Zé e Lukinhas, Rodolfo, aos brothers que estavam na Casa da Cobra e o resto da galera que eu possa ter esquecido. Um obrigado especial à Glauce Ibraim que tornou esse sonho realidade e ao Rafinha por me receber de forma única, me guiar, me ceder seu tempo e carinho durante essa viagem e ao longo desses quase 8 anos de amizade. Espero voltar em breve. Obrigado galera!
Famoso setor da Casa da Cobra. Foto: Caio Gomes.

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Caio Gomes encadena o "Adobe".

Na tarde da última sexta-feira (3) fiz a primeira repetição do boulder "Adobe", aberto pelo escalador brasiliense Rafinha Passos e localizado no bloco do "Rising From The Vala" na Pracinha de Itacoatiara, em Niterói (RJ). Como comentei no penúltimo post, esse boulder foi um aprendizado para mim. Precisei amadurecer minha cabeça para o fato de não precisar estar me mantando de treinar numa academia para encadenar boulders de alto nível. Por muito tempo eduquei minha mente assim - um mau que eu julguei na época ser necessário. Mas agora é diferente. Agradeço ao Luiz Andrade, Laís, ao Daniel "Olho" e ao meu irmão Pedro Gomes, pela energia e o apoio dado durante a cadena. O dia estava quente, a rocha não estava em sua melhor condição, mas como o Luiz disse: "O dia da cadena é sempre o melhor dia!". Então é isso! Em relação ao grau, pensando muito depois da cadena, acredito que seja um v10 e não v11 como eu havia divulgado no 8a.

Para fechar o final de semana com chave-de-ouro, decidi voltar no sábado seguinte para tentar a extensão do "Adobe" - ainda sem nome. Porém o tempo permaneceu quente o que não favoreceu a escalada naquele bloco. A solução foi escalar dentro da Praça, protegido pelas árvores. Naquela manhã fui apresentado à um dos boulders mais técnicos do local: uma travessia de mais ou menos 25 movimentos - sendo sua maioria numa vertical com pequenos cristais. O boulder foi aberto pelo Daniel "Olho" e pelo Matheus. Após fazer a primeira ascensão, sugiri o grau para v8 - podendo ser mais ou menos. Aproveito ao post para agradecer ao Lourival - escalador local - por me apresentar essa linha clássica e por passar uma das melhores energias de cadena que já recebi.

A energia está boa e não tem previsão para acabar.

Post ao som de Groundation - Picture On The Wall.

sábado, 27 de novembro de 2010

Adobe: um aprendizado.

Há duas semanas venho me dedicando à um novo boulder na Pracinha de Itacoatiara: "Adobe". O boulder consiste em 8 movimentos sendo o segundo um move muito esticado - mais de 1,5m com certeza. O "Adobe" foi aberto em novembro deste ano pelo escalador brasiliense, Rafinha Passos. Rafinha, em um primeiro momento, graduou o boulder em v10/11. Por ser uma variante do boulder "Tijolão", Rafinha batizou o boulder de "Adobe", que é um tipo de tijolo.

Tipo de tijolo Adobe, que dá nome ao novo boulder na Pracinha de Itacoatiara. Foto: Internet.

Como dito anteriormente, venho me dedicando à esse boulder. No sábado passado (20), entrei pela primeira vez sério - há semanas atras, arrisquei uma entrada mas sem sucesso. Neste sábado (27) achei que ia encadenar, mas arranquei as pontas de dois dedos da mão esquerda e o estilo das agarras (abauladas) não permitem o uso de esparadrapos. Porém nas tentativas de hoje cai após a mão escapulir indo para a última agarra antes do domínio - considerado muito tranquilo. O dia não era dos melhores. A chuva que caiu na noite da última sexta (26) não secou totalmente e a pedra ficou com o grip prejudicado.

Caio Gomes tentando o boulder "Adobe". O boulder recebeu apenas uma cadena. Foto: Pedro Gomes.

Em relação ao grau, acho que deva se tratar de um 11 mesmo. Se comparado com outros v10 que ja mandei e tentei, esse aparenta ser mais dificil. Após mandar, aguardarei mais repetições para a confirmação do grau. Vou passar mais uma semana pensando integralmente nesse boulder. Mas está sendo um aprendizado essa escalada, estou aprendendo a lidar com ansiedade, motivação e a superação da mente. Mesmo sem estar treinando sinto que a evolução está aí, independente da resina. Mais uma vez, agradeço ao Rafinha pela visão e contribuição para mais uma linha incrível.

Post ao som de Ponto de Equilibrio - Vila Isabel (Zona Norte).