Em um de meus corriqueiros passeios pelo Plaza Shopping (o mais importante shopping de Niterói, RJ) ao lado da Família Buscapedra, entrei em uma loja - que, por questões éticas, não revelarei o nome - e de cara me deparei com a seguinte cena: uma parede repleta de agarras de escalada da ByPita e dois quadros grandes com a foto do dono das agarras, Luis Cláudio "Pita". O curioso é que os donos da loja não faziam ideia de quem era o maluco escalando. E nem o Pita sabia que tinha fotos dele na tal loja. Até aí, tudo mais ou menos bem. Mas quando perguntamos ao proprietário da loja se eles tinham algum interesse em apoiar atletas da escalada, ele foi direto e seco: "Não!".
E não é só a indústria da moda que se aproveita da imagem da escalada para associar preços "radicalmente" baratos ao nosso esporte. Quantos comerciais de carros offroads, adventures, nós vemos diariamente na tv usando a "nossa imagem"? Centenas! Agora, quantas dessas empresas ajudam, incentivam de alguma forma a escalada? Nenhuma! Mas é como dizem por ai: tudo que está ruim, pode piorar. E é o que vem acontecendo. Já é previsível, porém não aceitável, que essas multinacionais bilionárias não queiram ajudar o esporte nacional. Afinal, não somos nós escaladores que pagamos R$200.000 em um offroad que nunca vai ver uma lama na vida. Mas o que está me preocupando muito nos últimos anos é a falta de comprometimento de algumas empresas do ramo com o esporte. Essas empresas - que se auto titulam "voltadas para o público do montanhismo/escalada esportiva" - viram as costas para os atletas quando esses, que são os que mais divulgam o esporte, precisam. Para tudo esses empresários têm uma desculpa. Ou o cara só vive na esportiva e não faz a imagem de "montanhista" exigida pela empresa, ou ele só vive nas falésias e paredes e não aparece muito, com isso não gera muita aparição na mídia. Acho que na real esses "empresários aventureiros" deveriam ir atrás de ex-BBB's e eremitas.
Outra coisa que tem me incomodado bastante é a falta de apoio aos campeonatos em todo o país. "Ah, porque nossos clientes não são competidores". Ah não? E vocês acham que o coroa barrigudo que vai comprar uma sapatilha dois números maior que o pé dele (para não machucar), saquinho de magnésio e um oito (sabe lá Deus para quê isso!) resolveu escalar por que? Pelo Homem-Aranha? Em 2000 tivemos aqui no Rio de Janeiro um circuito Open de Boulder nas praças da Cidade Maravilhosa. Muros na Praia de Copacabana e na Chacrinha, atraíram diversos curiosos e potenciais novos adeptos do esporte. Mais tarde tivemos o Rope Show, em um dos mais modernos shoppings da cidade, o New York City Center (Barra da Tijuca). Com um muro de 22 metros - o maior até hoje já montado no Estado - centenas de curiosos assistiram as vacas dos que caiam tijolados e as comemorações dos que encadenavam a via. É, eu era feliz e não sabia.
A gota d'água foi a suspensão do Circuito Estadual de Boulder do Rio de Janeiro 2010 por falta de apoio/patrocínio. O Luíz Alvez (Secretário do Depto de Competições da FEMERJ) enviou mais de 150 e-mails à empresas no intuito de fechar um apoio ou patrocínio para as etapas deste ano do Circuito. Como foi relatado pela Patrícia Mattos (Diretora do Depto de Competições da FEMERJ), algumas empresas se quer tiveram o trabalho de responder - se é que chegaram a abrir o e-mail. Só para vocês terem uma noção do preço das cotas por etapa: Apoio = R$250,00 e Patrocínio = R$500,00. Sei que teve a tal crise e que ninguém está muito bem de grana. Mas o que é duzentos e cinquenta reais para uma empresa do ramo da escalada? O problema é que ninguém quer fazer nada em prol do esporte sem correr um certo risco. Não seria hipócrita de dizer que ficaria feliz em tomar consecutivos prejuízos financeiros em prol da escalada. Mas é exatamente isso que vem acontecendo com a Patrícia Mattos. (Em breve um post falando sobre esses prejuízos e recompensas).
Acho melhor finalizar o post para não cometer nenhuma injustiça. E desculpem o desabafo, mas é que essas "mesquinharias" muito me revoltam. Mas apesar de tudo, ainda levo muita fé no esporte e acredito que o futuro está aqui dentro e que a evolução está acontecendo agora. Mas o incentivo para tal realização ainda permanece lá fora, junto do investimento estrangeiro. Como toda regra tem sua excessão, aqui no Brasil, felizmente, ainda temos pessoas que fazem muito pelos nossos atletas e pelo esporte a troco do simples prazer de ajudar e ver o desenvolvimento da escalada. É à essas pessoas que, em nome da Família Buscapedra, deixo o meu "muito obrigado"!



